Análise: Contratações do governo não seguem princípios de prevenção e segurança de dados

Após quase dois anos e meio da sanção da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o governo brasileiro tem demonstrado dificuldades em fazer valer o princípio da prevenção, que exige adotar medidas para prevenir a ocorrência de danos no tratamento de dados pessoais.

O caso do vazamento de senhas que permitiu a visualização de informações sensíveis de pacientes de covid-19, denunciado semana passada pelo Estadão, não pode ser visto isoladamente, considerando as denúncias de entidades civis sobre outras vulnerabilidades que permitem a exposição de dados de saúde. Incidentes de segurança em razão de más práticas de acesso ao sistema ElasticSearch não são novidade.

A repolitização do uso de dados depois de 15 anos de tecnotopia. Entrevista especial com Rafael Zanatta

Segundo Zanatta, esse tipo de decisão é importante porque grande parte da população “está suscetível ao que se chama de capitalismo de vigilância e a serviços que são ‘gratuitos’, mas pelos quais as pessoas pagam com seus dados, e se submetem a um modelo de ampla coleta desses dados, que depois vão virar mecanismos de indução do comportamento dos usuários”. Os dados dos usuários, menciona, alimentam os mercados digitais e dão origem a um modelo econômico baseado na previsão do comportamento humano. “O modelo de negócio que envolve dados consiste em fazer a propaganda direcionada para o consumidor e prever o que o usuário vai fazer, inclusive mapear qual é o estado emocional do usuário mais propenso a fazer uma compra”, explica.